Leitura crítica de gráficos
O gráfico não mente — mas o eixo mente o tempo todo.
Os números são os mesmos nos dois casos: a diferença real é 14%, e só o desenho muda.
A ideia, em 3 parágrafos
Cada gráfico serve para uma coisa. Barras comparam categorias. Linhas mostram evolução no tempo. Setores (pizza) mostram partes de um todo — e só fazem sentido se as partes somarem 100%. Histograma mostra distribuição de frequências, e seu eixo horizontal é contínuo, não categórico. Usar o gráfico errado já distorce antes de qualquer número aparecer.
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Cada tipo de gráfico e para que serve; quando a pizza é inadequada.
A manipulação mais comum é o eixo Y cortado. Um gráfico de barras que começa em 95 em vez de 0 transforma uma diferença de 2% numa montanha visual. É tecnicamente correto e visualmente mentiroso — e está em propaganda, em jornal e em apresentação de empresa toda semana. Outras: escalas diferentes nos dois eixos, gráfico 3D que distorce proporção, e o clássico intervalo escolhido a dedo (mostrar só os três meses que favorecem o argumento).
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O eixo cortado; escalas enganosas; 3D distorcido; recorte de intervalo.
E a armadilha mais séria não é visual, é lógica: correlação não é causalidade. Duas curvas que sobem juntas não provam que uma causa a outra. O consumo de sorvete e o número de afogamentos sobem juntos — mas sorvete não afoga: ambos sobem porque é verão (a terceira variável). Antes de aceitar "X causa Y" porque as curvas combinam, pergunte três coisas: existe uma terceira variável? A relação pode ser ao contrário? É coincidência?
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Correlação × causalidade; a terceira variável; causalidade reversa; correlações espúrias famosas.
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